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Quarta-feira, Junho 02, 2004


Olá, caros leitores, depois de muitos aeons, estou aqui novamente. Isso, o Lucas, lembram? Mas desta vez, sem histórias de terror ou splatters. Apenas um registro de bizarros pensamentos que me atormentaram por um instante. Claro, não é um post dos melhore - talvez muitos não entendam minha mensagem. Bom, na falta de inspiração e tempo, foi o melhor que pude fazer.

Livre Arbítrio

Estava andando pelo colégio onde estou concluindo meu estágio de técnico de informática, carregando documentos para lá e para cá, quando me deparei com uma senhora, ou senhorita, vindo em minha direção. Minha mente trabalhou com a velocidade de sempre, e calculei uma reação. Ela era bonita, mas não de uma beleza sensual. Uma beleza simpática. De não se desprezar. E ela me perguntou:
"Por favor, é este o prédio da Física?"
"Não, é aquele."
Pronto, tudo fora do que eu imaginei. Saiu daquela maneira infantil de falar, e todo o charme desejado e treinado havia sido esquecido. Bom, e eu fiquei pensando "da próxima vez eu faço certo". E me lembrei de um ensaio interessante sobre o livre arbítrio, sobre o qual vos falarei nessa postagem.

Dizemos que tomamos nossas próprias decisões, baseados em coisas como nossa vontade, nossa necessidade, nossos caprichos ou outras mil coisas. Isso nos torna mais do que os outros animais que agem apenas por instinto. Que temos o livre arbítrio. Mas vejamos o caso que se sucedeu. A mulher veio em minha direção. Em minha mente, eu guardava a informação sobre como agir com mulheres bonitas, e sobre a localização do prédio da física. Eu sabia disso graças a acontecimentos passados da minha vida. Lógico. E a minha maneira de reagir também tem relação com isso. Eu fui típico, agi de acordo com coisas que me fizeram ser o que eu sou. Minhas decisões, meus modos, as coisas que farei e as opções que eu tomarei... é como se tudo já estivesse pré determinado. Eu não sei qual será minha próxima dúvida, mas com certeza minha decisão será baseada em coisa de meu passado. Desde que nasci, é assim. E quando nasci - quando tinha um passado conscientemente desprezível - comecei a ser influenciado pelos meus pais, parentes, pelo mundo a minha volta. Coisas que não eram internas e sim externas, que me levaram aos poucos a chegar onde estou, falando sobre como a influência de meu próprio indivíduo nas minhas decisões pode ser considerada desprezível.

O homem usa agasalhos porque sente frio. O homem não anda despido porque foi influenciado a pensar assim. O homem muitas vezes faz o que faz sem parar para ponderar sobre isso. Por exemplo as pessoas religiosas, que se param para pensar, não é para saber se o que fazem vale a pena, mas sim para procurar um motivo para valer. Se não encontrarem, vai qualquer desculpa, o importante é valer. Para não serem excluídos do grupo, talvez. Isso não é exclusivo do ser humano, querer estar em grupo. E uma pessoa que se preocupa com a beleza para atrair uma outra também não foge a natureza. A busca por prazer é natural. Então podemos dizer que se falamos, se desenvolvemos teorias, se nos vestimos, se somos o que somos, se destruímos o planeta Terra e lamentamos - mesmo sem parar a destruição - é porque isso é o que dita o nosso instinto. O livre arbítrio é uma mentira. Reagimos de acordo com coisas externas que são interpretadas pelos nossos cérebros e respondidas pelas nossas ações, como se fossemos computadores dotados de genes que evoluem através da seleção das espécies. Somos mais lixo no ciclo da natureza. E talvez essa humana necessidade de se dizer criação dos deuses, o centro do universo, o núcleo da existência seja parte do nosso instinto também. No fim, somos apenas uns primatas orgulhosos. Só isso.

Mas há quem diga: "Se não podemos decidir, se o futuro já está determinado, se o livre arbítrio não existe, não há graça em viver!"
E eu discordo. Sentir as emoções que nós podemos sentir, passar os momentos que nós podemos passar, degustar o sabor de uma pizza ou dos lábios de uma donzela - tudo isso é tão bom, que eu não me importo de ter ou não ter o livre arbítrio.

E, claro, a vida é uma rosa de espinhos imensos, e as dores que sentimos também fazem parte; o sofrimento nos acrescenta influências, nos melhora, ou não. Mas, enfim: isso importa?

escrito por LUCAS VIEIRA às 11:43| argumentos.




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