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O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil


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Sexta-feira, Janeiro 30, 2004


Pátria amada?
Você se sente feliz por ser brasileiro?
Essa perguta ataca todos nós, brasileiros que pensam. Por que seríamos patriotas, se nosso país é uma mula que ainda não aprendeu a andar? Um país onde o axé, o funk e a fofoca estão nas graças da maioria da população - alma do Estado - não merece amor.
Uma prova dessa nossa repulsa ao brasileirismo são as Armas Nacionais. Se fôssemos patriotas realmente, não precisaríamos nos alistar, obrigatóriamente, ao atingir a maioridade. Maioridade essa que, antes de atingi-la, todo mundo pensa que é uma maravilha. "Eba, farei minha carteira!", pensa o filho do pai que tem três carros. "Eba, poderei ir ao puteiro sozinho!", pensa seu colega, querendo dizer sei-lá-o-que. "Eba, poderei votar!", lembra aquele seu colega que sempre quer se aparecer falando de política (talvez ele já tenha tirado título de eleitor, mas, aqui, está só para propósitos ilustrativos. Assim como para gastar linhas e deixar o texto volumoso, como essa ressalva que lêem agora). Enfim, sonham com a maioridade para, quando ela enfim chegar, destruir suas ilusões e enterrá-la embaixo de milhões de documentos e tintas nos dedos, qual um criminoso. Dezoito anos é quando o Estado deixa de olhar para você como um dependente e passa a saber que você é um contribuinte. Brasil sorri, desejando riquezas a você, já que quanto mais dinheiro, mais imposto. No Brasil, ainda, temos um diferencial: somos obrigados a servir tal pátria interesseira do modo mais idiota possivel. Alistando-se. Caso não saibam, quem começou com isso foi Olavo Bilac, uma espécie de Roberto Carlos da poesia do início do século passado. Todo mundo puxava o saco dele, e sempre havia uma charge ou foto sua estampada em alguma revista - sim, precursoras da Contigo!. Ele sim era bem patriota. Escrevia umas coisas estritamente encaixadas, rima perfeitas, coisa de primeira. Em vez de se limitar às declamações ou coisa do tipo, foi dar uma de Romário e saiu da sua praia para falar de política. Disse ele "Porra, acho que todo brasileiro devia se alistar!" e desde esse dia somos obrigados a aceitar todo o patriotismo que Olavo compartilhou com o país naquele instante.
Se o fato de ter de prestar contas ao Exército nacional já é uma coisa chata, imagina agora o passo mais importante da sua vida, desde que você deu a primeira bimbada: ter um trabalho de carteira assinada. Brasil, por mais que queira que você fique rico e pague impostos astronômicos, não dá muitas condições para o desenvolvimento da economia - dela, a chamada macroeconomia, e sua também, mais conhecida como "dinheiro no bolso". Como o Brasil é um país novo, inconsequente, simplesmente esquece que as pessoas têm de ter dinheiro para pagar as coisas e coloca as tributações lá nas alturas, sem ligar para nada. Nesse ambiente que uma pessoa de dezoito anos tem de sobreviver, ganhar dinheiro e fazer carreira. Todos pensam que é fácil, "olha meu pai. Trabalha quatro dias por semana e todo ano vamos viajar para o estrangeiro", pergunta nosso leitor mais abastado. Claro que, se você está lendo isso, seu pai deu condições mínimas para seu desenvolvimento. Escola boa, sapato no pe, roupas, dinheiro para o lanche, bla bla bla. Ele fez isso, mesmo se você não tenha aproveitado a escola, rasgado o tênis jogando futebol no asfalto ou gastado o dinheiro do lanche com maconha. Essas coisas acontecem, principalmente na juventude de nossa geração e nas que ainda estão por vir. Só que seu pai, ao contrário que aparenta, suou bastante para conseguir. Agora é sua vez. A pátria não ajudará.
Por outro lado, mesmo que a massa ouça axé, funk, et cetera, temos no Brasil uma imensa cultura. Descomunal, para um país com apenas quinhentos anos de história documentada. Ao norte temos cultura holandesa e negra, ao sul temos costumes italianos e germanicos. Brasil é uma amálgama de conhecimento e história. Não tivemos guerras civís, como os EUA, nem um governante sangue-suga ao extremo, como o Peru, Venezuela, ou sei lá. Entretanto tivemos conspirações. Muitas. Tivemos gafes burocráticas hilárias e um monte de lei que foi feita para enganar a população, principalmente em relação à escravidão. Nossos governantes, desde Dom Pedro I, são espertos e matreiros. Para calar a boca dos abolicionistas, alguém inventou a lei dos Sexagenários, que libertava negros com mais de sessenta anos. Bonito, bonito. Velhinho tá cansado, larga a mão de ser escravo. O povo aplaude. Assim como os fazendeiros. Um a menos para tratar, pagar comida e roupas. "Vá velhinho, seja feliz livre!", bradava os senhores. Negros ficavam felizes, velhinho também. Até dar de cara com a realidade: vai fazer o que com a liberdade? Quando era escravo, ganhava comida, e nem trabalhava tanto. Ponto para os fazendeiros. Ponto para o Legislativo. Um episódio desses só pode ser configurado como palhaçada. Também acho. Mas bato palmas para a sagacidade do Estado. Claro, o Estado faz esses showzinho para os que pagam impostos astronômicos. Não sou um desses, ou seja, Brasil me sacaneia para fazer os ricos rirem. Não posso fazer nada, apenas bato palmas e rio junto. Brasil pode ficar atônito com minha reação auto-destrutiva e, afinal, chorando não vou mudar nada mesmo.

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 16:15| argumentos.




Domingo, Janeiro 25, 2004


Após um século sem nada postar, estou de volta.
A maioria não deve me conhecer. Não me importa nem um pouco. Brinco. Sou o Lucas, prazer. Espero que gostem da história. Não tem nada a ver com minhas convicções religiosas, e a intensão não é ofender, é entreter. Mas, se chocar, não me incomodo.

Visões Além-Túmulo de Adrian

Adrian era um jovem querido em sua família. O irmão mais velho, amado pela mãe, idolatrado pelo pai. "Um exemplo para vocês dois!" estavam cansados de ouvir os dois irmãos. Religioso. Ia à missa todos os dias. Tinha bolsa na faculdade, pois era do time de basquete. Oh sim, estamos em uma cidade do interior nos Estados Unidos. Adrian, loiro, olhos azuis, rezava todos os dias. Pagava o dízimo, saia com os amigos da igreja para espalhar a boa nova de cristo. Certa vez, encontrou uma menina de cerca de doze anos chorando, abraçando uma velha, caída na calçada, provavelmente uma parente. Eram umas seis horas, e ele fazia o percurso para casa. Mas então parou para ajudar a garotinha. Se ajoelhou. A garota chorava. A velha estava morta.
"É a sua vovó?"
"É! Vovó... caiu e não quer acordar..."
"Deixe-me ajudá-la. Espere, ela está dizendo alguma coisa!"
"O que? Ela está viva?"
"Sim! Ela me disse que vai pro céu, encontrar Jesus. Pediu para mim te acalmar, e um dia ela vai te ver de novo."
"Cala a boca, seu idiota! Palhaço idiota!"
"Acalme-se! Falo sério! Falei com ela!"
Mas não adiantou. A menina não acreditava nela. Ele, claro, não havia escutado mesmo a velha. E, além de mentir, não conseguiu acalmar a garotinha. Com uma grande tristeza, foi pra casa. Informou o pai que tomou as providências devidas.

E Adrian foi obrigado pelo pai para o exército, para a guerra no Iraque. Junto com ele ia Joseph, amigo de infância, do qual tinha se afastado, pois este era judeu. Na viagem de ida, o amigo foi até ele.
"Olá Adrian! Quanto tempo! Tudo bem? Como vai seu pai?"
"Ele vai mal. Teme perder o filho que vai lutar nessa guerra. Teme que meu bom sangue cristão lave a bandeira profana de Israel."
"É. Bom, é bom te ver também. Se quiser, pode aparecer no meu casamento profano, depois da guerra. Vou me casar com a Ismaella, lembra? Ela está esperando meu filho. Fique tranqüilo, não vou deixar nem você nem eu morrermos."
"Mais um judeuzinho. Espero que meus filhos não morram pela sua raça."
Joseph, frustrado, voltou para o seu lugar no avião.

A tropa de Adrian havia acabado de perder o comando. Estavam desorganizados, em meio às ruas pobres, arenosas, estreitas da cidade, que parecia um labirinto sombrio, mesmo sendo meio dia, com aquele sol ardente. Em cada casa, um guerrilheiro, ou mesmo um pai de família, querendo defender seu povo. "São só muçulmanos" era o pensamento que motivava a matança pelas mãos trêmulas de Adrian. Foi então que a arma enguiçou, algum problema técnico, e o gatilho emperrou. Um soldado inimigo parou na sua frente e mirou. Falou coisas ininteligíveis, exceto pela palavra "Alá". Então, quando Adrain se deu por morto, que seu amigo se atirou em sua frente. Joseph, baleado. Rapidamente, pegou a arma do amigo e atirou no iraquiano. Foi até o velho companheiro. Este sussurrou para que amigo cuidasse de Ismaella e de seu pequeno judeuzinho. Adrian, naquele momento, chorou e entendeu os erros que estava cometendo. Joseph morreu.
Um choro fraco atraiu a atenção de Adrian, que se levantou e viu uma garota de uns onze anos sobre o corpo da avó. De novo. Uma segunda chance, enviada por Deus, ele tinha certeza. Foi até a menina. Esta olhou para ele, com raiva, ergueu uma arma e atirou, acertando seu ombro. Caído, com medo, ele atirou. Quando se deu conta, havia matado as duas. Dessa vez, a avó não estava morta.
"Meu Deus... me perdoe... foi um erro... perdão..."
BLAM
E, com um tiro, o para sempre desolado pai da menina matou Adrian.

Adrian acordou. Estava no pé de uma escada dourada. À sua volta, nuvens. Havia sido perdoado e mandado para o paraíso, pensou. Subiu a escada, muito feliz. Ao chegar lá em cima, viu um anjo loiro, com uma grande túnica branca por debaixo da armadura dourada, olhos dourados, traços leves, segurando um estranho bastão, como uma lança. Mas, era um anjo. E sorria.
"Seja bem vindo, Adrian."
"Qual é o seu nome, anjo?"
"Oh, meu nome é Belial. E não mais um anjo, querido Adrian."
Adrian então arregalou os olhos. Era impossível. Reconheceu o pentagrama invertido na linda armadura de Belial. Aquilo era um pesadelo muito grande para ele.
"Fique tranqüilo. Não vamos te torturar eternamente. Não se vencermos a nossa batalha."
"Do que fala? Está brincando comigo?"
"Não. Embora tenha negado por toda sua vida, sempre foi um grande pecador. Além disso, o mal nunca foi uma força inferior, afinal, temos influênciado a humanidade - principalmente os cristãos - por milhares de anos. E deus nada fez. Ou melhor, tentou, mas em vão. Logo saberá de tudo. Para início, continue adorando cristo. Ele é um dos nossos. O nosso maior triunfo. Bom, por enquanto, só acorde e continue sua vida."

Adrian acordou, suando frio. Era a noite da menina e da avó. Tinha sido um sonho.
Ou não?

escrito por LUCAS VIEIRA às 02:18| argumentos.




Quinta-feira, Janeiro 22, 2004


Mais um conto:

Despertando
Andrezza era uma menina meio gorda. Não obesa, daquelas que, mesmo enorme, tem um charme inerente ao tamanho. Uma meio-termo de gordura. Aquele grasso feio de se olhar, de pessoa desleixada. Uma obesa poderia falar que tem problema de hormônio, desfunção nas glândulas. A desculpa de Andrezza era - coitada - inexistente.
Tinha mais ou menos quatorze anos quando aconteceu algo que mudou sua vida. Andrezza não tinha ninguém, e culpava isso ao fato de ser gorda. A verdade é que nunca foi atrás de ninguém, sempre sonhou um conto de fadas, onde seu amado - quase sempre fruto de um amor platônico e patético - se declarava a ela de mil formas possíveis. Isso nunca aconteceu de verdade, desnecessário dizer. Seu rosto não era feio - em contradição a seu corpo, que era, no mínimo, esquisito - poderia arranjar um namorado, caso se sujeitasse ao capitalismo do amor e corresse atrás da concorrência.
Não obstante a isso, levava uma vida normal de garota de quatorze anos. Ia a escola, fazia catecismo, brincava com as amigas (falando nisso, uma das coisas mais tristes em relação a Andrezza é o fato dela nunca ter dado a atenção que as amigas mereciam. Andrezza, hora ou outra, tinha a mente inundada com teorias conspiratórias destrutivas. Vira e mexe achava que uma amiga a sacaneava pelas costas, coisas dessa magnitude). Logicamente, Andrezza, por vezes, também viajava. Ia com a mãe para Barueri, sua cidade natal, todo fim de ano. Viajavam de ônibus. Para Andrezza era sempre uma alegria ir para lá e ficar longe de todos que a conheciam. Poderia andar pela rua não como "a gorda da oitava cê", mas sim como a "menina que veio de São Paulo", ditava mais um de seus pensamentos conspirativos. Ficava triste, porque, na maioria das vezes, de nada adiantava mudar de cidade. Se em São Paulo ela se achava conhecida como a gorda da oitava cê, em Barueri, sempre que via alguém rindo na rua, fosse por qualquer motivo, sempre vinha a sua mente o rótulo de "gordinha de São Paulo". Coisa de criança de quatorze anos. Tais idéias só saíam da mente da garota quando alguém sorria para ela, novamente, por qualquer motivo que a pessoa tivesse para sorrir. Andrezza sempre relacionou sorriso ao reconhecimento de sua beleza, sabe-se lá por quê.
Em uma dessas viagens de ônibus, Andrezza, por inépcia do rapaz que vendeu as passagens, teve de sentar-se longe da mãe - sua única parente em São Paulo. Seu pai falecera por problemas renais ao fim do ano anterior. Mãe sentou-se no quarenta e lá vai cacetada e filha no vinte e poucos. Vizinha da mãe tinha uma senhora de idade e religiosa. Chatíssima. Não aceitou a troca de lugar com a filha, alegando que se o motorista dormisse na viagem - era um percurso noturno - teria mais "chance de viver sentando atrás". Periferizando a filha, por outro lado, havia um rapaz que aparentava ter a idade condizente com o número da poltrona no qual sentava, muito atraente. Atraentíssimo, pensou Andrezza. Tal vizinhança praticamente a coibiu intimamente de tentar trocar de lugar para ficar mais perto da mãe. Chegou até a mentir, dizendo que o rapaz também não sairia da poltrona, para a mãe. A genitora de Andrezza, impotente perante a situação, não tinha nada a fazer a não ser aceitar. Sentou-se ao lado da velha senhora na última fileira do ônibus, enquanto a filha, lá no meio, comia com os olhos o gato. E o ônibus zarpou. Bem dizendo a verdade, Andrezza, como sempre, não abriu a boca uma vez para falar com o rapaz. Seu medo de ser rejeitada a silenciava, mais uma vez. Ficou emburrada por causa disso, mas sem levantar um dedo para lutar contra o temor. E os dois ficaram lá, quietos, em um estado de semi-sonolência, até mais ou menos meia hora de viagem. Andrezza notou uma sensação estranha na perna. Olhou para lá e viu nada menos que a mão do rapazola roçando suas coxas. Ela, já começando a se excitar com a situação, pousou a mão sobre o membro dele, ainda dentro da calça jeans. E ela foi abrindo o zíper, procurando um meio de adentrar a roupa dele e, com isso, fazê-lo adentrar nela. A mão selvagem do seu amante sobe, levantando suas roupas, até os seios, grandes por causa da gordura localizada, mas menos flácidos que o de costume, devido à quentura da situação. Ela finalmente achou o que procurava na calça dele, e o arrancou para fora. Caiu de boca. As mãos dele, por outro lado, abriram caminho por trás, descendo pelas costas seminuas da menina, até entrar por dentro da calcinha e além. Sim. Ela até que enfim estava tendo seu conto de fadas. Terminado o "blowjob" rodoviário e seja-lá-o-quê que o rapaz estava fazendo com os dedos por baixo da calcinha dela - já no joelho - ela finalmente se prepara para ser penetrada pela primeira vez. Subiu em cima dele, que chupava seus seios vorazmente, e, vagarosamente, desceu até a fusão se seus sexos.
Acordou no hospital, com soro fisiológico pendurado, respirador na boca, tubo até a traquéia, eletrodos e mais eletrodos, televisão ligada e aquele barulhinho do cardiógrafo. Não. Não era uma noite de amor no ônibus. Ela bem que estava achando estranho ninguém reclamar da pouca vergonha. Foi um sonho. Que, por sinal, o motorista também poderia ter tido, já que dormiu no volante e deixou o ônibus bater em um caminhão-cegonha. Andrezza não sentia suas pernas. De fato, não as tinha mais. Queria chorar, mas não conseguia. Ficou pensando o porquê de nenhuma lágrima ter caído. Talvez porque ela merecesse, sua vida fosse medíocre e ela nada fazia para mudá-la, concluiu. Lembrou da mãe. Aí sim, desfez-se em prantos. Olhou para a televisão. Já era noite, estava sintonizada no SBT. Passava Ratinho. Entrevistas banais. Andrezza virou a cara e continuou chorando a noite inteira, não por causa dela, mas por causa da mãe. Antes de tentar dormir, pensou "que programa idiota".
Mal sabia ela que, do outro lado da cidade, estaria a velhinha - de nome Catarina - sendo sondada pela produção do programa. "Senhora de oitenta anos foi única pessoa a se salvar sem um arranhão de tragédia na estrada" seria a manchete ideal para levantar o ibope do programa.

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 01:12| argumentos.




Domingo, Janeiro 18, 2004


Andaram me perguntando o porquê da cruz invertida no fundo da página. Explico: aquilo não é exatamente uma cruz invertida "símbolo internacional do anti-cristianismo". Poderia ser, claro. Pode ser também uma cruz invertida, símbolo internacional do São Pedro, primeiro Papa da igreja católica e, assim como Jesus, morreu na cruz. Como era muito puxa-saco, exigiu ser crucificado de cabeça pra baixo, já que não era digno de morrer como cristo. Acho isso uma tolice. Se eu fosse um dos algozes do Pedro (ou Paulo, sempre me confundo), enterraria a cabeça dele e o deixaria pelado, pra algum safado o sodomizar ou algum corvo o comer vivo, só pra deixar de graça e ficar exigindo as coisas. O símbolo que estampa nossa página também pode ser um martelo, ou uma espada de ponta romba, ou ainda uma espada inacabada (sei lá, o ferreiro foi dormir, foi comprar leite, sinceramente não sei). Usando a imaginação, pode-se dar milhares de designações e explicações para a cruz aí. Ela pode ser um machado (notem a curvatura dos braços), ou então um anzol com peso embutido. Sei lá eu. Quem for metaleiro, que seja uma cruz invertida/símbolo do mal. Se for cristão, que seja a cruz de São Pedro. Se for marceneiro, que seja um martelo. Vocês que decidem, não me encham o saco. No final das contas, a cruzinha aí, mesmo sendo uma imagem, entra na máxima "é uma questão de semântica".
Se bem que "anzol" é meio forçado...

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 15:46| argumentos.




Sábado, Janeiro 17, 2004


- Senhora, você comeu algo realmente podre.
- E o que eu comi, doutor Marcelo?
- Faremos a autópsia já já. O resultado sai em torno de uma hora.

Obrigado pela curtíssima, Pedro!

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 04:14| argumentos.




Quarta-feira, Janeiro 14, 2004


Jack era um rapaz talentoso no que fazia. Era espião. A diferença era que... como posso explicar? Jack era invisível. Poderíamos ficar aqui sentados discutindo como e porquê disso, mas não vem ao caso. foi que, quando a mãe sentou deitou na mesa do obstetra e iniciou o trabalho de parto - não exatamente nessa ordem, que fique claro - seu canal vaginal expandiu, como se uma criança estivesse passando, mas ninguém via um fio de cabelo dela. Autoridades foram avisadas, a mídia foi chamada, a vizinhança toda ficou sabendo em um piscar de olhos. De uma hora para outra, aquele era a gravidez do século.
Mas não ficou assim por muito tempo.
De fato, a mãe de Jack não chegou nem a segurar o filho no colo. Ele foi praticamente sequestrado pela CIA. A mãe foi coagida a dar Jack ao governo e ficar de bico calado, assim como os médicos e enfermeiros que participaram do esquisito nascimento.
O caso foi completamente abafado, e Jack foi enviado à Capital. Podemos dizer que Jack, desde o dia em que nasceu, nunca mais foi feliz.
Na sede da CIA Jack cresceu e foi treinado para ser o espião perfeito. Não precisava de disfarces, já que ninguém o via. E Jack treinava. Treinava e treinava para esquecer que tinha uma vida. Aos vinte e cinco ainda não tinha conhecido uma mulher, no sentido lúbrico da coisa. Não teve a mesma sorte que teve James Bond. Jack, além de não se envolver socialmente com ninguém a não ser seus superiores, não tinha uma Moneypenny. Sua secretária, por assim dizer, era gorda e feia. E Jack, para não pensar em sexo, pensava em espionagem. Essa fuga da triste realidade que vivia transformou-se na sua vida e Jack, além de ser o único espião invisível do mundo que se teve notícia, era o melhor. E sabia disso.
Tal status modelou sua personalidade de um jeito tal que o Jack deprimido e digno de pena deu lugar ao Jack orgulhoso e ostensivo. Virou um pernóstico exibido. Sua voz, que era melancólica e fraca, transformou-se em um megafone de gracejos e gracinhas. Se achava O Gostoso, mesmo seu tato afirmando o contrário. Virou um Narciso pós-moderno. Seu maior sonho agora não era uma mulher, era ele mesmo.
Ganhou a confiança e a amizade dos maiores cientistas e técnicos da CIA - isso é o que ele achava. Os pesquisadores não o aguentavam. Sempre que podia, tentava se informar melhor sobre seu problema, e sempre deixava uma indireta no ar, para os cientistas trabalharem paralelamente em um jeito de fazê-lo visto. Queria porquê queria ver o próprio rosto.
Em uma missão, onde teria que seguir um cônsul japonês por aí, acabou notando, mesclada à paisagem, um singular nativo, idoso já, olhando para ele. "Mas como..." pensou, "...se sou invisível?". Aproximou-se do velho japonês e perguntou se podia vê-lo. O velho ficou em silêncio por uns dez segundos, deu meia volta e saiu andando, daquele jeito que só mestres de kung-fu conseguem andar. Jack o seguiu até um templo. "Você consegue explicar porque sou assim?", perguntou ao ancião. Seguir o Cônsul já havia caído nas suas prioridades faz tempo. o velhinho respondeu, com uma voz a lá Miyagi "A pergunta é: você quer mesmo se ver?". "Claro!", afirmou, confiante. "Olha aquela sombra ali no espelho? É sua". Jack sorriu. Andou até o espelho, de um jeito que não conseguia ver seu reflexo. O velho resumiu-se a um balanço negativo com a cabeça, virou as costas e foi embora. O espião continuou avançando. Quando viu seu ombro refletido, chorou. Vagarosamente foi se deslocando para a esquerda. De súbito, deu um pulo. Sorriu. Viu sua silhueta voando junto com ele. Mas durou pouco. Sentiu sua retina queimando, seguido pela sensação de que estava em uma fornalha. Seu corpo inteiro ardia.
Acordou no Hospital Geral de Tóquio. Ficou internado por uma semana com queimaduras de terceiro grau causadas pelo sol. Os médicos acharam que ele era albino, mas não entenderam porque os olhos do rapaz simplesmente viraram cinzas. Jack entendia. Sua retina sempre foi transparente. Quando finalmente virou opaca, não estava preparada pra tamanha radiação que iria receber. Inesperadamente, Jack não ligou para isso.
Recebeu alta do hospital, fez umas sessões de bronzeamento artificial, entrou em um curso de braile e começou a praticar kung-fu, justamente com o velhinho que lhe abriu os olhos.

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 20:51| argumentos.




Sexta-feira, Janeiro 09, 2004


Como a vida é engraçada:
Tudo marcado para a volta da viagem. Dia 5 seria o dia que pegaríamos a estrada. Errado. Algum rapaz repleto de ódio no coração rouba, na véspera, o rádio do carro. Felizmente a o corpo policial, efetivo como sempre, acha tal amigo do alheio e devolve para meu grande amigo e pai o objeto do furto. Papai, receoso em pegar a estrada por dez horas sem ter nada para ouvir, adia a viagem e instala o rádio.
Dia 6, de volta em casa, após todo aquele mal-estar devido ao pensamento de que nossa casa também poderia ter sido roubada - infundado, por sinal. Fui para a cama, vi TV, enrolei, enfim. Meia noite ligo o PC e tento conectar. Cadê linha telefônica? Modem fazendo uns barulhos estranhos. Arruma a caixinha da extensão, troca linha, troca ponto. Nada. Modem não funcionou. Queimado.
Ontem tentei não pensar em internet. Quase consegui.
Hoje, como podem perceber, um rapaz muito fofinho veio aqui e trocou o modem. Não que eu não soubesse fazê-lo, longe de mim, mas a palavra "Garantia" pesa bastante. O selo que garante a Garantia não pesa tanto assim - no máximo uns dois gramas - mas continua sendo legal mantê-lo intacto.

Voltando um pouco no tempo, noto que a maioria das idéias de textos que estão escritas aqui no meu bloquinho de anotações vieram à minha mente quando estava no banheiro. Cagando? Não. Tomando banho. Isso me fez notar que tomar banho não é apenas um ato de asseio, mas também um passeio pela própria mente, quase uma meditação. Difere do ato de defecar pelo simples fato de que, cagando, somos obrigados a fazer força, nos impedindo de tecer uma linha de pensamento mais profunda em relação a qualquer coisa.

Outra coisa interessante (ou Glorificando o sul do Brasil):
Andando pela BR 101 (apelidada de "brioi", culpa de um bêbado. No carro, querendo ir para Brusque, encosta e pergunta a meu primo como faz para chegar a "Brioi"), lê-se nas placas nomes como "Blumenau" e "Joinville". Aqui, na Dutra, lemos "Taubaté" e "Pindamonhangaba". Os Guaranis bem que podiam ter morado um pouco mais pra cima no Brasil. Sem preconceito.

Peço desculpas por ter escrito Blumenau com L no final. Obrigado, Patsy, por apontar o erro.

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Pro pessoal que sugeri a troca de links:
Tinha um txt com as URL dos blogs. Pois é. Perdi. Portanto, se o acordo ainda está de pé, dêem-me um toque em hunter_tcr@hotmail.com

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 18:35| argumentos.




Sábado, Janeiro 03, 2004


Pra quem não sabe, este pequeno lapso de posts deve-se a uma viagem que fiz (e que por sinal continuo fazendo) com destino ao sul do país. Não estou morto, não fiquei dislexo de uma hora pra outra ou coisa do tipo. Dia 5, caso não tenham roubado minha casa, estarei de volta postando qualquer merda aqui. Idéias fresquinhas de vez em quando pipocam na minha cabeça. Incrível como isso acontece somente quando estou curtindo a solidão que um banho oferece. Todas as idéias consideradas razoáveis estão sendo anotadas. Já já vocês ficam sabendo.

Outra coisa: falaram por aí (nos comentários do post anterior - meu xodó, diga-se) que o Semântica é um "blog famoso". Mesmo ficando extremamente lisonjeado (ou lisongeado, foda-se. Cadê meu Aurélio? Sempre esqueço essa palavra, por mais que a use), temo que meu blog não seja muito famoso. Sim, aquele esqueminha no Crussificados ajuda e muito nosso contador a crescer, mas o Uma Questão de Semântica só vai ser famoso mesmo quando algum jornal fizer matéria sobre ou então quando eu for entrevistado pelo Jô ou pelo Marcelo Tas. Adoro os dois, então não tenho preferência. Em aparência Tas fica na frente - Jô é muito pouco fotogênico, como se vê em qualquer revista de fofoca que o clica em algum show. Em audiência Jô leva - infelizmente o Vitrine ainda é muito pouco visto, se comparado ao Host da Globo. Em intelectualidade e credibilidade empatam: um é careca, outro é gordinho. Credibilidade até no visual. Uma belezura.

escrito por THIAGO BITTENCOURT CARVALHO ROSA às 03:25| argumentos.




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Alguma dúvida? Reze.